terça-feira, 6 de abril de 2010

Gota a Gota

Hoje só me lembro de gotas.
Aquela citação - zen? do copo cheio que, se leva mais uma gota transborda. A música do Chico que a minha mãe ouvia vezes sem conta há muitos anos, quando para mim, os sons e as sensações, os cheiros e a as energias faziam todos parte da mesma amálgama.Só o sabor do amargo ficou mais prolongado, como o âmbar que derrete milhares de anos depois, denso e pesado, quase incapaz de deslizar.
Do meu cabelo e pescoço e costas com chuva de gotas, porque o teu beijo foi tão intenso que que me debrucei sobre a fonte pequenina e só dei por isso já bem depois - o arrepio que vinha de ti era muito mais intenso do que o da água gelada. Lembras-te? Eram aquelas fontes pequeninas de quando o Jardim de S. Pedro de Alcântara tinha uma beleza decadente que me encantava. Tinha lodo e folhas espalhadas, restos de filtros e campo de basquete. Não era aquela coisa clean, civilizada e sem paixão que é agora.
Gotas minhas e tuas que se misturam nos fins de tarde. Lá fora a Primavera tarda, cá dentro os trópicos nunca passaram. Não deixes agora  o frio minimalista entrar no meu quarto, sabes que sou barroca, tresloucada e estou desalmadamente desejosa da primeira chuva de verão contigo. De preferência muito perto das figueiras.
Nas histórias modernas são sempre os princípes a terem de ser acordados.

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